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" O mundo é belo e a gente tem que mostrar isso para as pessoas." (Marcelo Gleiser, 2009)

04/12/09

Leitura científica para crianças

Ainda falando sobre leitura (ver post anterior), não pude deixar de postar aqui um alerta.
Leia na íntegra a matéria publicada hoje na Revista Com Ciência, sobre o estudo de um grupo de pesquisadores que avaliou a literatura científica disponível para crianças.
Após uma análise criteriosa, os resultados são alarmantes: de um total de mais de 280 livros, pouco mais de trinta foram considerados livres de equívocos graves e adequados como leitura científica para crianças!!!
Um dos problemas mais comuns encontrados pelo grupo foi a inadequação da linguagem ao público infantil. Erros de proporção também são facilmente encontrados nas obras. Há também problemas relacionados ao letramento científico, que não o seriam numa literatura não voltada para as ciências, como a confusão que muitos livros fazem entre o discurso científico e o pensamento mágico (com plantas conversando com pessoas).
Como a matéria conclui, "depurar o que as crianças aprendem é fundamental para uma sociedade que pretende compreender, partilhar e participar da construção do conhecimento científico".

03/12/09

Dê livros e saiba o que fazer com eles!

Este ano, uma campanha, nascida informalmente e lançada no Twitter ganhou corpo e forma rapidamente. A Campanha “Doe um livro no Natal” tem como objetivo mobilizar as pessoas a doarem livros neste Natal, diferente dos habituais brinquedos. Postos de coleta foram organizados em todo o país e os livros começaram a surgir em grande número. O objetivo central é realizar a coleta do maior número possível de livros de literatura (livros didáticos estão fora da campanha) para distribuir entre comunidades carentes, bibliotecas públicas e bibliotecas de escolas. Para saber onde doar seus livros, consulte o site da campanha.

Vou aproveitar essa onda para indicar um material muito bem elaborado, disponilizado pelo Instituo Ecofuturo, que orienta pais e educadores sobre a importância da leitura e como devemos acompanhar nossas crianças (desde bebês) e jovens na descoberta desse universo.

No Passaporte da Leitura e da Escrita e no Passaporte da Leitura: Brincar de Ler você poderá encontrar várias dicas de como começar a entusiasmar e encantar seus pequenos com a leitura e a escrita.

Veja abaixo algumas dicas encontradas nos passaportes: 10 passos para que seus filhos se tornem bons leitores

1) Leia em voz alta com eles. Explore com eles os livros e outros materiais de leitura – revistas, jornais, folhetos, almanaques, manuais de instruções, cartazes, placas... Todo material impresso pode ser útil e ocasionar um momento de troca centrado na leitura.
2) Ofereça a eles um ambiente rico em termos de letramento: faça atividades com leitura, mesmo com bebês e crianças bem pequenas, e continue fazendo com as crianças e jovens que já estão na escola.
3) Converse com eles e escute-os quando falam. Isso ajuda MUITO no desenvolvimento da linguagem oral.
4) Peça para eles recontarem histórias ou informações que você leu em voz alta para eles. Cuidado para que isso não acabe virando aula! Não é esse o espírito da proposta; precisa ser algo agradável e descontraído.
5) Incentive-os a desenhar e fazer de conta que escrevem histórias que ouviram. Peça, depois, que “leiam” em voz alta. Parece absurdo? Pois não é! Afinal, eles passam o tempo fazendo de conta que cozinham, que dirigem carros, que lutam com inimigos perigosos, que são médicos e
professores... Não se esqueça: a idéia é brincar de ler.
6) Dê o exemplo: faça com que eles vejam você lendo e escrevendo. E, por favor, não faça a bobagem de dizer que eles devem aprender a ser diferentes de você, que não gosta de ler! O que conta não é o que você discursa sobre leitura, escrita, estudo: é o que você oferece como exemplo.
7) Vá à biblioteca regularmente com seus filhos. Se for uma biblioteca de empréstimo, é bom cada um ter sua própria ficha de inscrição.
8) Crie uma biblioteca em casa e uma biblioteca pessoal para a criança, onde ela se acostume a guardar os livros e a buscá-los. Na hora de comprar presentes para seu fi lho, lembre-se dos livros! De quebra, ele ganha competência para lidar com o mundo e abertura da imaginação.
9) Não deixe de fazer um pouco de mistério, para aguçar a curiosidade. Por exemplo: você tem três livros na mão e diz à criança que ela pode escolher entre dois livros. Ela certamente vai dizer que são três, e não dois. Você faz de conta que se enganou, e põe um deles de lado. Adivinha qual deles ela vai querer... Use sua imaginação. Tudo isso é jogo, mas o resultado é que seu filho ganha sempre – e para toda a vida.
10) Leve seus filhos sempre que houver Hora do Conto, teatro infantil e atividades similares na comunidade.
(destaques por minha conta)

26/11/09

A vida na Idade do Ferro - o jogo

Os arqueólogos se utilizam de artefatos encontrados nos sítio arqueológicos para tentar desvendar como viviam nossos antepassados.
Através do game "Life in Iron Age", da BBC History, é possível aprender um pouco mais sobre o cotidiano na Idade do Ferro. Aprenda a fazer fogo, assar um pão ou fiar!
O site está em inglês e será uma ótima oportunidade para aumentar seu "vocabulary" e de seus alunos!
Depois de aprender como viver na Idade do Ferro, responda ao Quiz.

Monteiro Lobato: livro a livro - Obra infatil (Prêmio Jabuti em 2009)

Este é especial para os professores:
Marisa Lajolo, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Presbiteriana Mackenzie, conquistou o prêmio Jabuti em 2009, maior prêmio literário brasileiro, na categoria não-ficção, com a obra "Monteiro Lobato: livro a livro - Obra infatil". O livro é resultado do trabalho de vários pesquisadores, que analisaram cada obra infantil de Lobato: como ela foi escrita, as influências que o autor recebeu e a evolução de cada edição revista pelo autor (leia entrevista da autora à Agência FAPESP).
Saiba mais a respeito e veja o sumário, consultando o site da Fundação Editora UNESP, pela qual o livro foi publicado (neste link).
Não deixe de dar uma olhadinha no site www.unicamp.br/iel/monteirolobato, no qual grande parte dos documentos do acervo de Monteiro Lobato está disponível, tais como cartas, fotos da época e outros documentos históricos.

20/11/09

"As artes e a infância" - Seminário Criança, Ciência e Cultura - parte 3

Há algum tempo, participando do Seminário Criança, Ciência e Cultura: Reflexões para Integração (posts anteriores aqui e aqui), tive a felicidade de ouvir uma história contada por Ilan Brenman ("Carne de Língua").
Homens e mulheres, presentes na platéia, estavam no mais profundo silêncio, encantados (mais e mais sobre encantamento) pela fala empolgante do contador de histórias. Naquele momento, fomos remetidos para um tempo onde não há relógio, e prestamos toda a atenção possível, como crianças descobrindo um mundo novo. Ali compreendemos a mensagem da história "Carne de Língua".

19/11/09

Matemática na Nova Escola

Achei excelente essa compilação de conteúdos produzidos pela Revista Nova Escola sobre práticas pedagógicas e fundamentos para o ensino e aprendizagem de matemática do 1o ao 5o ano.
Dividido nos blocos de conteúdos (fundamentos, números e operações, espaço e forma, grandeza e medidas, e tratamento da informação), você vai encontrar planos de aula, vídeos explicativos, reportagens e entrevistas, e jogos e animações, separados nos diferentes anos escolares.
Destaque para o artigo "Matemática em todas as disciplinas".

Se não remarmos para o mesmo lado, correremos o risco de não chegar a lugar algum... Eu, Você, Todos pela Educação

Continuando os acontecimentos do dia 11, além de participar do 4o Fórum do Instituto Claro (ver post anterior), à noite fui convidada para o lançamento da campanha Eu, Você, Todos pela Educação (obrigada, Tati - Ciência na Mídia) !!!
Este ano, a campanha sofreu uma pequena GRANDE mudança, incluindo o papel de cada um de nós na responsabilidade da educação de nossos jovens (antes o slogan era somente Todos pela Educação). Com isso, a idéia é sensibilizar as famílias sobre sua responsabilidade na educação de seus filhos.
Achei a iniciativa muito oportuna, pois tenho visto, cada vez mais, a alienação de pais que cobram da escola, e somente dela, a educação de seus filhos. Muitos pensam que quando suas crianças não têm um comportamento socialmente adequado, é por culpa da escola, que não está sabendo lidar com a situação. Quando esses pais são chamados para conversar com a escola, colocam-se como vítimas da falta de tempo, ou mesmo do desconhecimento e dizem que ela tem que dar conta de TUDO. Alguma vezes, até o governo leva a culpa!!!
Fiquei muito feliz quando, outro dia me deparei com uma entrevista do filósofo Mário Sérgio Cortella, na qual ele comenta esse problema e situa a posição das famílias de forma bastante clara: "não cabe à família colaborar com a escola na educação, mas exatamente o contrário, é a escola que colabora, a família é responsável".
Enquanto cada um de nós não entender que a formação do indivíduo depende da ação de cada um, não haverá como mudar o atual estado das coisas. Começando em casa, com pais mais presentes e participantes, passando pelos vizinhos, familiares, comunidade escolar, empresas, instituições, enfim, toda a sociedade, temos o dever de cuidar de nossos "filhotes".

Atualização: 02/12/2009
O Ministério da Educação está disponibilizando uma cartilha com dicas para que os pais acompanhem de perto o desempenho de seus filhos na escola. Ilustrada por Ziraldo, a cartilha está disponível para download aqui.

18/11/09

Show do Milhão, ou melhor, Show da Genética

O Programa de Extensão Universitáira "Difundindo e Popularizando a Ciência", tem como objetivo envolver professores/pesquisadores e alunos de pós-graduação do Instituto de Biociências da UNESP de Botucatu (SP) na difusão e popularização de recentes avanços em Ciência e Tecnologia. Fruto de uma das oficinas do grupo, o jogo "Show da Genética" foi desenvolvido nos moldes do jogo "Show do Milhão". Ele funciona como uma apresentação em Power Point e pode ser modificado pelos professores, de acordo com os conteúdos trabalhados em sala de aula (leia o descritivo do jogo).

Tudo o que você pensa está errado, ou está mudando...

No último dia 11, à tarde, tive a oportunidade de participar do 4º Fórum do Instituto Claro. O título do encontro foi “Aprendizagem sem Muros: TIC´s, novos cenários, metodologias e práticas”. A mediação foi feita por Roseli de Deus, professora da Poli, diretora da Estação Ciência da USP e conselheira do Instituto Claro, e teve como convidados a professora Léa Fagundes (UFRGS), Roberto Balaguer Prates (Uruguai) e Sílvio Meira (C.E.S.A.R.). Abaixo, faço um apanhado das falas dos participnates, com pontos que penso serem releventes para reflexão dos educadores.

Antes do início dos debates, ouvimos Roberto Balaguer Prates, psicólogo, psicanalista, pesquisador e consultor internacional sobre relações entre as TIC´s e a subjetividade. Roberto pontuou a importância do educador compreender que o jovem de hoje vive numa nova “ecologia”, a das TIC´s. Não podemos negar que o mundo no qual os jovens interagem é diferente do mundo que nós conhecemos. As redes sociais e os jogos on-line já fazem parte de seu dia-a-dia. Roberto enfatizou que temos que tentar acompanhar os avanços tecnológicos, que ocorrem muito mais rapidamente que na educação, caso contrário, podemos ter que enfrentar um problema não mais tecnológico, mas antroposófico!
Segundo Roberto, o saber não está mais na sala de aula. A cada dia, 7.000 artigos científicos e técnicos são publicados. O volume de conhecimento se duplica a cada 2-3 anos. Redes sociais tais como blogs (veja alguns que recomendo abaixo, à direita) , Flickr, Youtube, Wikipedia, entre outras, nos ajudam a encontrar informações atualizadas sobre os mais variados assuntos. O mundo está mudando de forma muito acelerada. Daí, o professor não pode mais lançar mão da estratégia de dizer a seu aluno que ele tem que estudar para o futuro. Na verdade, não sabemos mais como será esse futuro, quais habilidades teremos que dominar para trabalhar e viver nele.

O professor Sílvio Meira, titular da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e cientista-chefe do C.E.S.A.R. chamou a atenção para um ponto que talvez seja o principal entrave para que os professores passem a utilizar as TIC´s nas salas de aula: o receio de passar da posição de saber para a posição de ignorar. Penso que boa parte da resistência da maioria dos docentes vem daí.

A professora Léa nos colocou algumas questões para reflexão. Dentre elas, o questionamento do porque os alunos estão separados em diferentes faixas etárias e níveis de escolaridade e porque o conhecimento está dividido em conteúdos. Foi traçada a relação entre esse tipo de organização e a Era Industrial (linha de montagem de Ford). Devemos repensar essas questões para decidirmos que alunos queremos furmar.

Bem, o que ficou do Fórum foi que há muito o que ser feito no campo das TIC´s, principalmente no que diz respeito à compreensão de seus potenciais usos. Também ficou clara a necessidade da desmistificação de seu uso pelos professores. Enquanto estes não se sentirem à vontade com essas novas mídias, não haverá como implementar sua plena utilização na educação.

10/11/09

Braile Virtual - inclusão de videntes

Em 2009 comemora-se o bicentenário do nascimento de Louis Braille (1809-1852), criador do código que leva seu nome (conheça mais sobre o sistema e seu criador em "Como funciona o Sistema Braille?").
Hoje em dia, podemos ver esse código em muitas embalagens, em painéis de elevadores e até em placas informativas em exposições.
No entanto, quando trabalhamos com alunos cegos que se utilizam desse sistema para ler, ou temos filhos nessa condição, é importante conhecermos e entendermos melhor essa ferramenta de comunicação, pois a criança cega, assim como a vidente, também precisa da ajuda dos pais para fazer, por exemplo uma lição de casa.
Pensando nisso, o projeto Braille Virtual foi criado por uma equipe da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e, este ano, está comemorando cinco anos! O Braille Virtual é um curso on-line baseado em animações gráficas e destinado à difusão e ensino do sistema Braille a pessoas que vêem (videntes), de forma rápida e simplificada.
Entender o que significam as “bolinhas” manuseadas pelas crianças que não enxergam é um ótimo passo para que o processo de inclusão seja pleno. Adicionalmente, saber como se relacionar com um deficiente visual e desfazer mitos são passos indispensáveis para isso. As dicas dadas no site do projeto (clique no link "Quebrar preconceitos") falam desses mitos com bom humor e descontração.
Para saber mais sobre inclusão social e acessibilidade, consulte também o site da Fundação Dorina Nowill para Cegos.